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Quando 15 projetos de investigação terminaram em Ouagadougou, em outubro passado, assinalaram um ponto de viragem na forma como o Burkina Faso estrutura, financia e aplica a investigação científica e…

Quando 15 projetos de investigação terminaram em Ouagadougou, em outubro passado, assinalaram um ponto de viragem na forma como o Burkina Faso estrutura, financia e aplica a investigação científica e demonstraram o que acontece quando mecanismos de financiamento liderados por africanos recebem os recursos necessários para funcionar.

O workshop de encerramento, realizado no Instituto de Ciências Sociais, foi organizado pelo Fundo Nacional para a Investigação e Inovação para o Desenvolvimento (FONRID) para assinalar a conclusão dos projetos financiados no âmbito da Science Granting Councils Initiative (SGCI).

O evento reuniu investigadores, parceiros técnicos e financeiros e representantes de instituições públicas e privadas.

Construir uma estrutura de financiamento mais sustentável

O FONRID, que funciona como o braço operacional do Estado burquinabê para o financiamento da investigação, tem trabalhado para construir uma base de financiamento estruturada e sustentável para a atividade científica, e a parceria com a SGCI tem sido central nesse esforço.

Só em 2024, o FONRID transferiu 1,130 mil milhões de francos CFA para estruturas promotoras de projetos, 80% dos quais provenientes da subvenção do Estado. O diretor-geral do FONRID, Babou André Bationo, salientou o compromisso ativo do Governo com a investigação nacional.

Os 15 projetos financiados pela SGCI representam a segunda vaga desta cooperação, após o encerramento de nove projetos anteriores financiados através do International Development Research Centre (IDRC) em 2023. Em conjunto, tiveram um orçamento combinado de 400 milhões de francos CFA, sendo seis dos 15 projetos coordenados por investigadoras.

Investigação que chega às comunidades

O FONRID centrou-se em temas com relevância socioeconómica direta, como a produção e transformação de produtos agroalimentares, como a manga, o caju, a batata-doce, a mandioca e a moringa, culturas que fazem parte dos meios de subsistência das famílias burquinabês comuns.

Equipas de investigação no workshop. Crédito da foto – Fundo Nacional para a Investigação e Inovação para o Desenvolvimento (FONRID)

Samuel Paré, secretário-geral do Ministério do Ensino Superior, Investigação e Inovação (MESRI), que presidiu à cerimónia de abertura, enquadrou o alinhamento como uma opção política deliberada. “O Governo instruiu o FONRID a orientar as subvenções públicas e o apoio dos parceiros para projetos de elevado impacto, capazes de melhorar a vida das comunidades e apoiar o desenvolvimento endógeno”, afirmou.

Saudou o alcance dos projetos concluídos e sublinhou que os seus resultados contribuem diretamente para a transformação estrutural da economia nacional.

Dos laboratórios às comunidades

Um tema recorrente no workshop foi a necessidade de garantir que a investigação não permaneça confinada às instituições. Paré instou a que as conclusões fossem além dos relatórios e dos laboratórios, valorizadas, divulgadas e transferidas para agentes económicos e comunitários que as possam aplicar.

Exposição de produtos de investigação no workshop. Crédito da foto – Fundo Nacional para a Investigação e Inovação para o Desenvolvimento (FONRID)

Bationo reiterou esta ideia, reafirmando o compromisso do FONRID em construir uma forte liderança africana na investigação e inovação e em desenvolver mecanismos de financiamento endógenos capazes de responder, a partir de dentro, aos desafios do continente.

A parceria entre a SGCI, o IDRC, o African Centre for Technology Studies (ACTS) e o FONRID foi apresentada como um modelo de cooperação Sul-Sul bem-sucedida, que garante que os investigadores africanos podem definir a agenda da investigação científica de acordo com as prioridades nacionais, e não com prioridades externas.

Começa uma nova fase

Embora o workshop assinale a conclusão de uma fase importante de cooperação científica, é também o início de uma nova era, com foco na tradução dos resultados da investigação em desenvolvimento duradouro e soberano para o Burkina Faso.

Para a SGCI, é a prova do que o seu modelo foi concebido para produzir: conselhos de financiamento da investigação mais fortes, melhor dotados de recursos e mais capazes de orientar a ciência para as pessoas que mais dela necessitam.

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Publicado em 8 de maio de 2026

Por Jackie Opara-Fatoye

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