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Investigadores africanos apelam a políticas de apoio, ao aumento do financiamento e a uma abordagem colaborativa de I&D para colmatar as lacunas entre a ciência e as políticas. Por Paul…
Investigadores africanos apelam a políticas de apoio, ao aumento do financiamento e a uma abordagem colaborativa de I&D para colmatar as lacunas entre a ciência e as políticas.
Por Paul Adepoju
Políticas de apoio e financiamento para a investigação e desenvolvimento em África, com foco em abordagens colaborativas e de impacto, são essenciais para garantir benefícios equitativos para todos no progresso científico, afirmam investigadores africanos.
Os investigadores africanos, membros da Science Granting Council Initiative (SGCI), deram isto a conhecer num documento de trabalho intitulado “Research Funding Flows in and for Africa” e discutiram o tema em dezembro de 2023, numa reunião de delegados realizada na Future Africa, Universidade de Pretória, durante o Science Forum South Africa, em colaboração com o International Science Council (ISC).
Future Africa é a plataforma colaborativa da Universidade de Pretória para investigação que trabalha transversalmente às ciências e com a sociedade para enfrentar os maiores desafios de África.
Os investigadores afirmaram que existem muitos desafios no sistema, incluindo a dependência excessiva de financiamento estrangeiro, o pagamento do próprio bolso e o apoio local inadequado à investigação.
Uma das implicações destes desafios é que a investigação realizada em vários países africanos pode ser incapaz de abordar eficazmente os problemas locais, afirmam.
O documento também identificou problemas como a fragmentação, a concorrência e a duplicação de esforços, que impedem a colaboração eficaz e a utilização otimizada dos recursos.
Afirmaram que reformular a proposta de valor da ciência africana é crucial para que o continente determine as suas prioridades científicas, de modo a mostrar aos governos por que razão devem alocar mais recursos para apoiar a investigação.
O documento propôs um novo fórum, o Fórum Africano de Ciência, Tecnologia e Inovação, como uma plataforma coletiva para as partes interessadas abordarem estes desafios e definirem prioridades. Com o objetivo de unir as partes interessadas e os decisores políticos, o fórum proposto visa promover uma voz africana unificada para capacitar o ecossistema de investigação do continente.
Farai Kapfudzaruwa, gestor de parcerias estratégicas e de investigação na Future Africa, Universidade de Pretória, e falando em nome dos autores, descreveu as recomendações como um reflexo dos temas abrangentes de colaboração, defesa de políticas e estabelecimento de uma abordagem unificada para fortalecer o ecossistema científico africano.
“O que é muito importante é permitir que as várias iniciativas e plataformas reflitam exatamente qual é a proposta de valor da ciência africana para auxiliar a voz da ciência africana no desenvolvimento de abordagens, que são importantes para fortalecer e construir a capacidade africana para o ecossistema científico”, afirmou.

Colmatar a lacuna entre ciência e política
Para contrariar o baixo financiamento da investigação em África, Kapfudzaruwa sublinhou a necessidade de desenvolver uma política científica robusta, reconhecendo os desafios colocados pelas prioridades nacionais concorrentes.
“Além de levar os países africanos a priorizarem a melhoria do financiamento para a ciência, uma política científica africana também permitiria que os financiadores externos estivessem cientes das prioridades do continente e fossem orientados sobre como contribuir de forma eficaz”, afirmou Kapfudzaruwa.
Apelou a discussões contínuas com os governos africanos para abordar a desconexão entre o conhecimento científico e as políticas governamentais no continente e acredita que a parceria com organismos científicos africanos de confiança poderá ser crucial
Raji Tajudeen, chefe dos institutos de saúde pública e investigação dos Centros Africanos de Controlo de Doenças, disse ao SciDev.Net que a integração da ciência da implementação (melhorar a forma como os resultados da investigação são aplicados em contextos do mundo real) nas iniciativas atuais é uma forma importante de fortalecer o ecossistema de investigação de África.
“A integração da ciência da implementação no projeto fortaleceu a capacidade de investigação em saúde pública em vários países africanos.”
“A investigação para nós é um facilitador transversal para as nossas prioridades estratégicas”, disse ao SciDev.Net.
Passos claros a dar
Para 2024, Kapfudzaruwa espera que sejam feitos progressos na consulta às principais partes interessadas na ciência em África e na compilação de recomendações sobre os caminhos a seguir.
“O mais importante que queremos fazer este ano é garantir que todas as vozes dentro do ecossistema científico sejam ouvidas e que sejamos capazes de produzir uma estratégia e abordagem muito coerentes, lideradas pelas necessidades e desejos de todos no sistema”, afirmou.
Tajudeen concorda com Kapfudzaruwa sobre a necessidade de inclusão e representação nas consultas para alcançar o que descreveu como uma agenda continental para a ciência.
O objetivo é conseguir que os cientistas africanos estejam totalmente envolvidos e tenham papéis centrais definidos na investigação, disse Tajudeen.
“Pessoas que chegam do Norte global com a sua proposta e metodologia, com a forma como querem fazer as coisas, vindo fazer investigação em África, e não há um papel claro para os investigadores locais – creio que isso precisa de mudar, isso precisa de parar”, afirmou.
“Precisamos que o nosso próprio povo esteja totalmente envolvido no que diz respeito a esse espaço.”
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