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Como é que o Malawi passa de bolsões de inovação para um ecossistema nacional verdadeiramente conectado? Nesta entrevista à Science Granting Councils Initiative, Isaac Chingwota, diretor interino de Transferência de…
Como é que o Malawi passa de bolsões de inovação para um ecossistema nacional verdadeiramente conectado? Nesta entrevista à Science Granting Councils Initiative, Isaac Chingwota, diretor interino de Transferência de Tecnologia, Inovação e Comercialização na Comissão Nacional para a Ciência e Tecnologia (NCST), explica por que a coordenação e os dados são fundamentais para desbloquear o potencial de inovação do Malawi.
O Malawi está repleto de mentes inventivas, mas, durante demasiado tempo, muitos destes avanços ocorreram de forma isolada.
A Comissão Nacional para a Ciência e Tecnologia (NCST) está a dar passos decisivos para mudar esse cenário, indo além da supervisão para se tornar um motor central de um ecossistema nacional de inovação mais unificado.
“Temos a responsabilidade de coordenar e promover a inovação no país”, afirma Isaac Chingwota, diretor interino de Transferência de Tecnologia, Inovação e Comercialização no NCST. “Mas, para o fazermos de forma eficaz, precisamos de compreender qual é, de facto, o nosso desempenho em todo o ecossistema de inovação.”
Por que a coordenação começa com os dados
Para Chingwota, o desafio começa pela visibilidade.
“Durante algum tempo, não temos conseguido organizar-nos para recolher esses dados”, explica. “Precisamos de saber como está a atuar o setor privado. Como é que o setor da investigação está a gerar inovações? E qual é a ligação entre os dois?”
A falta de dados consolidados tem dificultado ao Malawi acompanhar com precisão as tendências de inovação ou comunicar os seus progressos à comunidade global.
Como resultado, o desempenho do país em plataformas como o Global Innovation Index pode não refletir plenamente a atividade de inovação que está a acontecer no terreno.
“Podemos estar a apoiar áreas que não são sustentadas por dados”, admite Chingwota. “É por isso que estamos a avançar para um quadro que nos permita conceber programas com base no desempenho no mundo real.”
Sem dados fiáveis, as decisões de política arriscam-se a ficar desligadas da realidade, enquanto os programas de apoio à inovação podem não chegar aos setores e intervenientes que mais deles necessitam.
Do diagnóstico à ação
Esta constatação levou o NCST, com o apoio de parceiros, incluindo a Technical Entrepreneurial and Vocational Education and Training Authority (TEVETA), a convocar uma conferência nacional no final do ano passado.
O objetivo foi falar sobre inovação e fazer o balanço de onde o Malawi se encontra e do que está a faltar.

Na conferência, o NCST apresentou uma avaliação do desempenho do país em inovação, com base em indicadores como o Global Innovation Index e outras ferramentas de benchmarking.
As discussões que se seguiram levaram a uma conclusão partilhada de que o Malawi precisa de um sistema mais formal e coordenado para recolha e reporte de dados de inovação.
“Concordámos que precisamos de uma rede que consiga recolher dados de forma consistente, reportá-los atempadamente e utilizá-los para informar as políticas”, afirma Chingwota.
Essa conversa evoluiu, desde então, para uma ação concreta.
Criar a rede nacional de coordenação da inovação
O NCST está agora em processo de formalização da National Innovation Coordination Network (NICN), uma plataforma concebida para reunir intervenientes-chave do governo, da academia, do setor privado e de polos de inovação.
“A conferência ajudou-nos a desenvolver os termos de referência da rede”, explica Chingwota. “Neste momento, estamos a constituí-la e a preparar um quadro de reporte que todas as partes interessadas possam adotar.”
O quadro definirá que dados são recolhidos, quem os reporta e os prazos envolvidos. Este sistema partilhado permitirá ao NCST acompanhar tendências, identificar lacunas e prestar apoio direcionado onde for mais necessário.
O feedback das partes interessadas até agora tem sido encorajador. Segundo Chingwota, há um reconhecimento crescente de que, sem coordenação, o apoio à inovação corre o risco de ser mal direcionado.
Sinais iniciais do setor privado
Embora algumas conclusões ainda estejam a ser finalizadas, já estão a surgir sinais iniciais. Com base num inquérito não publicado sobre inovação empresarial, Chingwota aponta as tecnologias de informação e comunicação (TIC) como uma área de destaque e força no setor privado do Malawi.
“As TIC são uma área em que parece que estamos a ir bastante bem”, afirma, observando que isto inclui soluções digitais, aplicações de inteligência artificial e, em particular, fintech.
“Aliás, algumas das empresas privadas mais bem-sucedidas no Malawi estão na área de fintech”, acrescenta.
Uma parceria estratégica com a TEVETA
A visão do NCST para um ecossistema de inovação coordenado está agora a ser promovida através da sua colaboração com a TEVETA Malawi.
Ao estabelecer parceria com a TEVETA, o NCST está a alargar o foco da inovação para além das universidades e instituições de investigação, incluindo inovadores técnicos, profissionais e de base comunitária, muitos dos quais operam fora de espaços formais de inovação.
Em conjunto, as instituições estão a lançar as bases para um comité nacional que irá acompanhar, identificar e apoiar inovações em todo o país, incluindo as que surgem em zonas rurais e insuficientemente servidas.
Para o NCST, a mensagem é que a inovação não pode prosperar em silos. Só através de uma coordenação deliberada, de dados partilhados e de colaboração intersetorial é que o Malawi poderá construir um ecossistema de inovação capaz de impulsionar um crescimento económico sustentável e inclusivo.
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Publicado em 4 de fevereiro de 2026
Escrito por Jackie Opara-Fatoye
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