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Assétou Sawadogo Kabore e Ndeye Sine Diop – duas participantes no Projeto de Género e Inclusividade da SGCI – partilham as suas impressões sobre a 67.ª sessão anual da Comissão…
Assétou Sawadogo Kabore e Ndeye Sine Diop – duas participantes no Projeto de Género e Inclusividade da SGCI – partilham as suas impressões sobre a 67.ª sessão anual da Comissão sobre o Estatuto da Mulher (CSW67), realizada em Nova Iorque, em março.
“Devemos recordar que não se trata de ter belas conclusões; é necessário implementá-las.”
Esta foi a resposta da especialista em género do Burkina Faso, Assétou Sawadogo Kabore, quando lhe perguntaram se concordava com uma declaração final que descrevia as conclusões alcançadas na 67.ª sessão anual da CSW67 como ‘transformadoras’ (“game-changing”).
“Considerá-las-ei belas se, de facto, tiverem sido implementadas e se a situação das mulheres e das raparigas tiver realmente mudado no Burkina Faso”, afirmou, reiterando o apelo da Diretora Executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous, para que todos as/os participantes façam a sua parte para traduzir as conclusões em realidade.
“As Conclusões Acordadas deste ano trazem-nos uma visão de um mundo mais igual. Ao sairmos daqui agora, levemos a força da nossa determinação conjunta para as traduzir em realidade para todas as mulheres e raparigas”, afirmou Bahous.
Realizada sob o tema “Inovação e mudança tecnológica, e educação na era digital para alcançar a igualdade de género e o empoderamento de todas as mulheres e raparigas”, a sessão contou com 7.000 participantes, incluindo o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, quatro chefes de Estado ou de governo e 116 ministras/os. Ao todo, foram organizados 206 eventos no complexo das Nações Unidas e 700 no fórum paralelo das ONG.
Reduzir a disparidade de género na tecnologia
A sessão reafirmou a importância da participação e liderança plenas, iguais e significativas de mulheres e raparigas na ciência, tecnologia e inovação, e expressou preocupação com os progressos limitados na redução da disparidade de género no acesso e utilização de tecnologias, conectividade, literacia digital e educação.
Em particular, a comissão apelou a que todas as iniciativas que promovam a inovação e a mudança tecnológica, e a educação na era digital, visando alcançar a igualdade de género:
- Desenvolvam ferramentas e serviços digitais para responder às necessidades de todas as mulheres e raparigas em diferentes setores e geografias.
- Integrem a perspetiva de género nas políticas digitais para remover barreiras ao acesso igual para todas as mulheres e raparigas.
- Promovam uma política de tolerância zero face à violência baseada no género que ocorre através do uso de tecnologia ou é por ele amplificada.
- Integrem uma perspetiva de género no desenho de tecnologias emergentes.
- Promovam políticas e programas para alcançar a paridade de género em áreas científicas e tecnológicas emergentes.
- Desenvolvam inovação sensível ao género que desafie estereótipos de género e normas sociais negativas.
Kabore, participante regular na Comissão sobre o Estatuto da Mulher, descreveu a comissão como uma “experiência enriquecedora” e uma oportunidade importante para quem está “comprometido com a luta para melhorar as condições de vida das mulheres e das raparigas”.
Kabore afirmou que as raparigas no Burkina Faso e na região da África Ocidental enfrentam constrangimentos sociais e culturais no que diz respeito à frequência escolar. “Na verdade, preferimos enviar os rapazes para a escola em vez das raparigas. Há também casamentos forçados e precoces e gravidezes indesejadas que dificultam que as raparigas permaneçam e se mantenham no percurso escolar. Podemos acrescentar a fraca oferta… e o custo exorbitante da formação, a ausência de bolsas de estudo para raparigas…”
Afirmou que o tema da conferência, centrado na inovação e na tecnologia digital, era altamente relevante para a situação que descreveu.
“É necessário que as mulheres se apropriem das tecnologias digitais para ocuparem o seu lugar no desenvolvimento. Tudo foi digitalizado: saúde, formação, comércio… É uma oportunidade e penso que intervenções, sobretudo a este nível, para colmatar o fosso da exclusão digital, são importantes.”
Kabore disse que a sua participação no Projeto de Género e Inclusividade da SGCI lhe permitiu compreender melhor as questões e estar “um passo à frente das outras”, o que gerou “valor acrescentado” na participação da sua equipa.
“Foi, de facto, uma experiência muito enriquecedora e convidaria toda a equipa da SGCI a participar na próxima CSW”, afirmou.
Defender os direitos das mulheres
Ndeye Sine Diop, coordenadora da Unidade de Género e Equidade do Ministério do Ensino Superior, Investigação e Inovação no Senegal (MESRI), concordou, afirmando que a sua experiência na CSW67 a tranquilizou, pois a “causa das mulheres foi bem defendida” pelas/os representantes dos Estados-membros em todo o mundo.
Diop, que participou pela primeira vez na sessão, disse que foi gratificante estar “no lugar onde defendemos as mulheres e melhoramos o seu estatuto e as suas condições de vida, a nível jurídico, político, económico, social e ambiental”.
Disse que o seu envolvimento no Projeto de Género e Inclusividade da SGCI a tinha preparado para a CSW67 e que ficou tranquila por constatar que o que estava a ser feito no âmbito do Projeto de Género e Inclusividade da SGCI estava alinhado com as conclusões e recomendações da CSW67.
“O Projeto de Género e Inclusividade da SGCI é oportuno”, afirmou. “Fiquei tranquila com os vários workshops, conferências, mesas-redondas, entrevistas, sessões paralelas com a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), a Organização Internacional da Francofonia (OIF), a Rede de Mulheres e Sociedade Civil do Senegal. Houve muitas atividades relacionadas com os temas que me interessam profissionalmente, nomeadamente género, inclusão, diversidade e igualdade de género na era digital.”
Diop disse que as conclusões finais da comissão reforçavam a sua própria visão de que, através da tecnologia digital, “muitas coisas vão mudar para as raparigas e as mulheres” para melhor.
Estas mudanças incluem níveis mais elevados de literacia, mais educação e formação, e a partilha de iniciativas empreendedoras – tudo conduzindo a um maior empoderamento económico. A tecnologia poderá também permitir que as mulheres acompanhem os preços de mercado e os alimentos, acedam a informação sobre as alterações climáticas e as suas consequências, e paguem as faturas de eletricidade e água a partir dos seus telemóveis, afirmou.
“Com as conclusões acordadas, a situação vai mudar; a tecnologia digital ajudar-nos-á de forma impressionante a promover a igualdade de género e a inclusão nas nossas sociedades”, afirmou.
“Até 2030, mulheres e raparigas serão reconhecidas como líderes. Estarão economicamente empoderadas. Poderão trocar experiências com mulheres de outros Estados-membros e partilhar boas práticas.”
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