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Inovadores ruandeses estão a enfrentar a poluição do ar com um dispositivo de monitorização que acompanha as emissões dos veículos em tempo real, desligando o motor se os níveis ficarem…

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O crescimento da população urbana do Ruanda levou a mais automóveis e a mais poluição do ar Dispositivo de monitorização da poluição apresenta dados em tempo real no painel do automóvel Investigadores pretendem melhorar a qualidade do ar e os resultados de saúde pública

Inovadores ruandeses estão a enfrentar a poluição do ar com um dispositivo de monitorização que acompanha as emissões dos veículos em tempo real, desligando o motor se os níveis ficarem demasiado elevados.

A população urbana do Ruanda está a crescer rapidamente, aumentando as preocupações com a poluição do ar e os danos que está a causar à saúde pública.

“A exposição a emissões nocivas pode levar a problemas de saúde a longo prazo”, afirmou Emmanuel Tuyizere, que liderou o projeto de investigação e desenvolvimento. As emissões dos veículos contribuem fortemente para doenças respiratórias como a asma e a bronquite, explicou.

“Os decisores políticos devem implementar códigos de governação ambiental e social.”

Ofili Methadius Iweanya, especialista em políticas ambientais e energéticas

Tuyizere afirma que o sistema de monitorização, fácil de utilizar, emite um sinal sonoro de aviso se os níveis de poluição ultrapassarem os padrões aceitáveis.

Se o veículo continuar a poluir excessivamente para além de um período de tolerância definido — que pode ser de dias ou semanas, consoante a utilização do automóvel — o dispositivo desliga o motor, impedindo novas emissões.

Prevê-se que a população total do Ruanda aumente em mais de 50% para 17,6 milhões até 2035 e para cerca de 22,1 milhões de pessoas até 2050.

O número de veículos no país também aumentou drasticamente, de 55.000 em 1999 para mais de 220.000 em 2019, tornando a poluição do ar provocada pelo tráfego um problema de saúde premente.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a poluição do ar cause cerca de 7 milhões de mortes em todo o mundo todos os anos. E no Ruanda os números também estão a aumentar, com as doenças respiratórias a tornarem-se mais prevalentes devido ao agravamento da qualidade do ar, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Ambiente.

Em resposta a estes desafios, Tuyizere e a sua equipa quiseram desenvolver um dispositivo que reduzisse as emissões dos veículos, melhorasse a qualidade do ar e, em última análise, reforçasse os resultados de saúde pública.

O dispositivo instalado no automóvel apresenta dados de emissões em tempo real no painel do veículo para alertar os condutores para o aumento dos níveis. A ideia é que estes dados também possam ser utilizados para orientar as políticas governamentais de redução de emissões e de melhoria da qualidade do ar.

O projeto, que começou em dezembro de 2023 e deverá decorrer durante 18 meses, recebeu financiamento da Science Granting Councils Initiative, uma iniciativa multilateral que apoia as agências públicas de financiamento da ciência na África Subsariana.

Para além de ter consequências para a saúde pública, a poluição do ar constitui uma ameaça económica em países de baixo e médio rendimento, como o Ruanda, à medida que os custos com cuidados de saúde aumentam e a degradação ambiental abranda o progresso rumo à urbanização.

Um estudo mostra que as mortes relacionadas com a poluição do ar no Ruanda atingiram o pico de 12.743 em 1997, tendo depois diminuído acentuadamente para 8.501 até 2013. No entanto, desde então tem-se verificado um aumento contínuo.

“O Governo do Ruanda tomou medidas para identificar as principais fontes de poluição do ar e melhorar a monitorização nacional da qualidade do ar, particularmente na capital, Kigali”, afirmou Tuyizere.

“Apesar destes esforços, a poluição do ar ambiente no Ruanda é uma ameaça crescente para a saúde humana, o desenvolvimento económico e o capital humano.”

Aumentar a escala

Tuyizere acrescenta que estão em curso preparativos para instalar maquinaria para a produção em massa do dispositivo.

Acredita que o sistema tem grande potencial de expansão, não só no Ruanda, mas em toda a África, onde muitos países enfrentam desafios semelhantes de poluição do ar.

Methadius Iweanya Ofili, especialista independente em políticas ambientais e energéticas que não esteve envolvido no projeto, sublinhou a importância de incentivar os utilizadores de automóveis a reduzir a sua pegada de carbono para que dispositivos deste tipo sejam eficazes.

Pretende ver os governos introduzirem regimes de créditos de carbono para recompensar os condutores que mantêm emissões mais baixas, semelhantes aos que existem para as empresas petrolíferas.

“Os condutores que trabalhem no sentido de reduzir a sua pegada de carbono, tendo em conta o estado dos seus automóveis, serão recompensados, enquanto devem ser aplicados impostos sobre o carbono aos proprietários de automóveis cujos veículos estejam a emitir mais”, sugere Ofili.

Ter inspetores ambientais nas estradas para realizar avaliações regulares aos veículos também ajudaria a fazer cumprir as normas, acrescenta.

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