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[NAMÍBIA] A falta de proteína é um dos principais fatores que contribuem para a subnutrição em países de baixo e médio rendimento, onde a alimentação de muitas pessoas depende fortemente…
[NAMÍBIA] A falta de proteína é um dos principais fatores que contribuem para a subnutrição em países de baixo e médio rendimento, onde a alimentação de muitas pessoas depende fortemente de culturas básicas.
Para enfrentar este problema na Namíbia, investigadores iniciaram um projeto de alimentação e nutrição para formar agricultores na utilização de um biofertilizante para produzir leguminosas enriquecidas em proteína.
O projeto, liderado por investigadores da Namibia University of Science and Technology, apresenta a pequenos agricultores da comunidade de Mayana, na região de Kavango East, técnicas de biotecnologia, com o objetivo de responder a desafios críticos na produtividade agrícola e na nutrição.
Natilia Rengi, agricultora da comunidade, em tempos teve dificuldades em produzir alimentos suficientes para a sua família de 12 pessoas, mas viu as colheitas aumentarem desde que adotou o biofertilizante.
“Não costumávamos cultivar tanto”, afirma.
“[Mas] posso dizer com orgulho que agora colhemos o suficiente para alimentar a nossa família.”
Para Rengi, o projeto significa a diferença entre lutar para sustentar a sua grande família e conseguir alimentá-la com refeições nutritivas.
A sua história é uma entre muitas na região, onde os agricultores estão a registar melhorias na produção alimentar e nos seus meios de subsistência graças a esta iniciativa, financiada pela Science Granting Councils Initiative.
Segundo Oswald Mughongora, responsável sénior de programa para a gestão de subvenções na Comissão Nacional de Investigação, Ciência e Tecnologia da Namíbia, o programa está alinhado com os objetivos mais amplos do país em matéria de agricultura inteligente face ao clima e integração de conhecimentos indígenas.
O projeto, denominado Food Security and Nutrition Improvement through Protein-Rich Legume and Low-Cost Biotechnology in Namibia (FOODSECBIO), começou em 2021 e está previsto ser concluído até julho de 2025.
Cinco biofertilizantes
“Um dos principais resultados desta iniciativa é o desenvolvimento de um biofertilizante produzido localmente”, afirma Mughongora.
Segundo ele, o projeto ajuda a responder a questões de fertilidade do solo, bem como a preocupações relacionadas com a subnutrição e a segurança alimentar na Namíbia.
Percy Chimwamurombe, investigador principal do projeto na Namibia University of Science and Technology, refere que a sua equipa desenvolveu cinco biofertilizantes. Começaram por identificar as bactérias mais adequadas para promover o crescimento.
Os investigadores isolaram bactérias do ambiente do solo de plantas leguminosas e selecionaram, em laboratório, as bactérias com características promotoras do crescimento das plantas.
“Interessávamo-nos sobretudo pela sua capacidade de fixação de azoto”, afirma Chimwamurombe.
Cerca de 30 agricultores já receberam formação sobre como utilizar os biofertilizantes. Os agricultores também foram formados em métodos de produção para feijão-frade, milho-painço e feijão bambara, todos ricos em proteína, e sobre como produzir farinhas de milho-painço enriquecidas em proteína para alimentar bebés.
Agricultura eficaz
Sofia Kamburu, agricultora de 34 anos, afirma que alargou as suas culturas para incluir feijão, milho-painço, amendoim e feijão bambara.

“Aprendemos a planear e quando plantar, consoante as diferentes estações”, afirma.
“No passado, dependíamos de boas chuvas em novembro e dezembro; no entanto, este ano preparámos os nossos campos antes da época das chuvas, aguardando as chuvas em janeiro para uma melhor germinação.”
A adoção de biofertilizantes e de técnicas melhoradas de preparação do solo reforçou os seus conhecimentos agrícolas, acrescenta.
Alta Ngoma, 30 anos, esteve desempregada durante três anos quando aprendeu novas competências de colheita através do projeto. Espera agora vir a cultivar o seu próprio campo no futuro.
“Este projeto mudou completamente a minha vida”, afirma Ngoma.
“Antes, não tinha rendimento nem experiência. Muitas vezes tínhamos dificuldade em comprar fuba de milho, que custava cerca de 150 dólares namibianos [US$8,3] por um saco de dez quilos.
Desde outubro, Ngoma tem vindo a obter um rendimento, o que lhe permite pagar as propinas escolares do seu filho.
Outra agricultora, Apolionia Kavahu, afirma: “Aprendemos a cultivar de forma eficaz. Cheguei a duvidar que alguém pudesse ganhar a vida com a agricultura, mas agora também podemos ensinar os nossos filhos a fazê-lo melhor no futuro.”
Subnutrição infantil
Chimwamurombe acredita que o projeto FOODSECBIO poderá desempenhar um papel importante ao disponibilizar alternativas nutricionais para combater a subnutrição infantil no país.
Está confiante de que a deficiência de proteína é um problema que este projeto pode superar, se todas as partes interessadas se unirem em torno da questão.
A primeira doutorada da Namíbia em melhoramento de plantas, Lydia Horn, sublinha que a disponibilidade de sementes é importante para promover a segurança alimentar e combater a fome.
Afirma: “Podem ser criados empregos e a segurança alimentar pode ser melhorada disponibilizando sementes a um preço baixo, para que todos possam cultivar os seus alimentos.”
Este artigo foi escrito por Charlotte Nambadja.
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