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Receitas alimentares desenvolvidas a partir de plantas autóctones e adaptadas aos climas locais poderão melhorar a nutrição e atenuar a escassez de alimentos nos agregados familiares rurais na África Subsariana,…
Receitas alimentares desenvolvidas a partir de plantas autóctones e adaptadas aos climas locais poderão melhorar a nutrição e atenuar a escassez de alimentos nos agregados familiares rurais na África Subsariana, afirmam investigadores.
Os investigadores africanos criaram produtos — incluindo compotas, sumos, xaropes, iogurtes e sopas instantâneas — utilizando plantas como laranja-brava, nêspera-brava, amaranto, baobá, hibisco e árvore-violeta.
As suas receitas visam combater as carências de micronutrientes na região e reduzir as perdas pós-colheita de frutas e hortícolas autóctones, afirmam os investigadores da Universidade da Namíbia e do Instituto de Investigação Agrária de Moçambique.
Penny Hiwilepo-van Hal, coautora do projeto e diretora do Departamento de Ciência e Sistemas Alimentares da Universidade da Namíbia, afirmou que, desde 2020, a equipa tem vindo a processar, aumentar a escala e comercializar produtos alimentares derivados de frutos e plantas subutilizados.
“O [projeto] procura fornecer as bases técnicas e de mercado para o aumento de escala através do desenvolvimento de cadeias de valor sustentáveis e da comercialização bem-sucedida destes produtos”, afirmou Hiwilepo-van Hal.
“O nosso objetivo é resolver os problemas de falta de dados científicos e técnicos adequados para estabelecer e desenvolver cadeias de valor sustentáveis para a utilização de frutas e hortícolas autóctones e promover a comercialização”, explicou.
A investigação foi financiada pela Science Granting Councils Initiative (SGCI) e coordenada pelos Conselhos de Concessão de Financiamento à Ciência da Namíbia e de Moçambique — a Comissão Nacional de Investigação, Ciência e Tecnologia da Namíbia e o Fundo Nacional de Investigação de Moçambique.

Chinemba Samundengu, co-investigador e docente no Departamento de Ciência e Tecnologia dos Alimentos da Universidade da Namíbia, considera que o desenvolvimento de produtos alimentares indígenas pode ajudar a popularizar alimentos subutilizados.
“O aumento da utilização destas frutas e hortícolas autóctones através do desenvolvimento de produtos pode levar a um aumento da procura e do acesso ao mercado”, disse Samundengu.
“Isto serviria de motivação para o desenvolvimento das cadeias de valor destas espécies autóctones.”
Benefícios para a saúde e para o clima
Hiwilepo-van Hal afirmou que a equipa de investigação visou espécies vegetais com benefícios específicos para a saúde, incluindo as que “reforçam a imunidade, reduzem o risco de carências de micronutrientes, infertilidade e cancros”.
“[No caso da] árvore-violeta, as folhas podem ser utilizadas na nutrição humana para reduzir deficiências de hemoglobina e de fertilidade, ao mesmo tempo que inibem o desenvolvimento de doenças crónicas através do efeito dos antioxidantes das plantas”, explicou.
Testes preliminares de citotoxicidade — que mostram o grau de dano que uma substância pode causar às células — indicaram que, em concentrações elevadas, extratos da folha de violeta poderiam potencialmente ser usados contra células humanas, como células cancerígenas, [mas] são necessárias análises mais detalhadas de citotoxicidade e fitoquímica, acrescentou a investigadora.
A investigadora acredita também que a promoção e a adoção de plantas e frutos autóctones nutritivos serão úteis no desenvolvimento de sistemas alimentares resilientes ao clima.
“Isto ajudará a garantir um acesso sustentável a micronutrientes acessíveis em agregados familiares rurais vulneráveis”, acrescentou.
“As atuais variações nos padrões meteorológicos têm-se revelado muito disruptivas para os sistemas alimentares em África, afetando gravemente a segurança alimentar.”
Daniel Otaye, professor associado no Departamento de Ciências Biológicas da Universidade de Egerton, no Quénia, afirma que a investigação é promissora, mas são necessários mais estudos sobre a sustentabilidade e a comercialização em larga escala dos produtos de plantas autóctones.
“África debate-se com inúmeros desafios, incluindo as alterações climáticas e a segurança alimentar; os resultados deste estudo podem ajudar a resolver alguns destes desafios”, afirmou.
SGCI é uma iniciativa multilateral criada para reforçar as capacidades institucionais das agências públicas de financiamento da ciência na África Subsariana, de modo a apoiar a investigação e políticas baseadas em evidência que contribuirão para o desenvolvimento económico e social.
Artigo escrito por Nelson Mandela Ogema
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