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[MAUN, BOTSUANA] Poderá o leite de cabra ser a resposta para a escassez de leite no Botsuana? A cientista agrícola Ntshepisa Lebetwa acredita que sim e tem vindo a explorar…

Leitura rápida
  • Investigadores no Botsuana desenvolvem leite de cabra enriquecido com produtos vegetais
  • Moringa e marula aumentam o teor de vitaminas e minerais do leite
  • A expansão do projeto poderá ajudar a reduzir a dependência de importações de lacticínios

[MAUN, BOTSUANA] Poderá o leite de cabra ser a resposta para a escassez de leite no Botsuana? A cientista agrícola Ntshepisa Lebetwa acredita que sim e tem vindo a explorar formas de o tornar ainda mais nutritivo, escreve Baboki Kayawe.

O setor de lacticínios do Botsuana tem enfrentado dificuldades há muito tempo devido à seca, a surtos de doenças e à escassez de gado bovino, o que leva o país a depender fortemente das importações.

Para enfrentar o problema, Lebetwa, investigadora principal no Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento Agrícola do Botsuana (NARDI), tem analisado de que forma o leite de cabra pode ser enriquecido com plantas ricas em nutrientes para criar um substituto de lacticínios que colmate esta lacuna.

“Atualmente, importamos 80 por cento do nosso leite e produtos lácteos da África do Sul”, explicou Lebetwa.

De acordo com Statistics Botswana, as importações de lacticínios e de outros produtos relacionados representaram 62,7 milhões de pulas (4,6 milhões de dólares americanos) da fatura de importações do Botsuana em janeiro.

“Esta enorme fatura de importações desviou recursos financeiros que, de outra forma, poderiam ter sido direcionados para o desenvolvimento da agricultura local e para outros setores”, afirmou Lebetwa.

No ano passado, com financiamento da Science Granting Councils Initiative, Lebetwa iniciou um projeto para desenvolver substitutos de lacticínios mais saudáveis e com maior estabilidade em prateleira e aumentar a produção local de leite.

“A investigação concluiu que o leite de cabra é mais nutritivo do que o leite de vaca”, disse Lebetwa.

“Produzimos leite de cabra pasteurizado, leite azedo, variedades de queijo e iogurte”, acrescentou.

Valor nutricional

Para melhorar ainda mais o valor nutricional do leite, os investigadores adicionaram pó de folhas de moringa e polpa de marula, ricos em vitaminas, minerais e antioxidantes. A moringa, que é uma fonte de ferro e manganês, também tem um elevado teor de proteínas.

O leite de cabra e os seus derivados podem ser consumidos por pessoas idosas, por indivíduos imunocomprometidos e por pessoas com intolerância à lactose, segundo Lebetwa.

Construção em curso de infraestruturas e currais de recolha.

Kebareng Kootshepe Setso, cientista alimentar que não esteve envolvida na investigação, afirmou: “A moringa atua como antioxidante e agente antimicrobiano para impedir a atividade de microrganismos responsáveis pela deterioração.

“Isto torna-a uma alternativa mais ecológica aos aditivos artificiais, ao mesmo tempo que melhora o perfil nutricional dos produtos.”

Setso disse que a polpa de morula e a moringa têm composições nutricionais semelhantes, embora difiram nas quantidades.

“A utilização conjunta cria um efeito sinérgico que beneficia os consumidores”, acrescentou.

Os investigadores procuraram também responder ao desafio do prazo de validade limitado, uma questão crítica no setor de lacticínios do Botsuana.

“Quando um país consegue acrescentar valor aos seus alimentos e prolongar o seu prazo de validade, melhora a segurança alimentar, preserva a qualidade dos produtos e reduz o desperdício alimentar”, explicou Lebetwa.

A moringa atua como antioxidante e agente antibacteriano que abranda a deterioração do leite de cabra, tornando-o seguro para consumo durante mais tempo.

A moringa e a morula são ambas plantas tolerantes à seca, muito adequadas à agricultura inteligente face ao clima e ideais para pequenos agricultores no Botsuana, segundo Lebetwa.

No âmbito do projeto, os investigadores estão a trabalhar com pequenos agricultores na região de Kgalagadi, no Botsuana, que irão produzir moringa juntamente com explorações de leite de cabra, para maximizar a sustentabilidade.

“Já preparamos algumas mudas para serem plantadas e cuidadas pelos beneficiários, a par da gestão das cabras”, disse Lebetwa.

Investimento e recursos

O Presidente do Botsuana, Duma Boko, sublinhou a importância de investir nas indústrias de processamento alimentar durante o seu primeiro discurso sobre o Estado da Nação, em novembro.

Em linha com o presidente, Lebetwa salientou que a fatura de importações do Botsuana está a desviar recursos financeiros muito necessários do desenvolvimento da agricultura local e de outros setores.

“A dependência de importações expõe-nos a potenciais perturbações na cadeia de abastecimento, sobretudo durante tensões geopolíticas ou restrições comerciais”, afirmou Lebetwa.

O seu projeto está a capacitar pequenos agricultores no Botsuana para criarem os seus próprios negócios de leite de cabra, fornecendo-lhes a formação e os recursos de que necessitam.

A beneficiária do projeto, Lesego Tumelo, já tem 20 cabras de raças indígenas, que cria para carne e leite. Para a ajudar a aumentar a escala, irá receber cinco cabras leiteiras, bem como formação sobre o desenvolvimento de uma cadeia de valor do leite de cabra.

“Não tenho funcionado como um negócio, mas este projeto vai ensinar-me competências empresariais”, disse Tumelo, que espera aumentar a oferta e vender os seus produtos a retalhistas.

Para ampliar ainda mais o projeto, Lebetwa e a sua equipa começaram a construir infraestruturas para alojar as cabras e instalar maquinaria de produção.

“As instalações para as cabras, o espaço de retenção, a mini sala de ordenha e a unidade de processamento estão em construção no local do projeto e [nós] planeamos lançar em julho de 2025”, disse.

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