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Países participantes no Projeto G&I da SGCI-II: Burquina Faso, Costa do Marfim, Gana, Nigéria, Senegal, Quénia, Uganda, Tanzânia, Ruanda, Etiópia, Botsuana, Maláui, Moçambique, Namíbia, Zâmbia e Zimbabué. Uma Cimeira de…

Países participantes no Projeto G&I da SGCI-II:

Burquina Faso, Costa do Marfim, Gana, Nigéria, Senegal, Quénia, Uganda, Tanzânia, Ruanda, Etiópia, Botsuana, Maláui, Moçambique, Namíbia, Zâmbia e Zimbabué.

Uma Cimeira de Aprendizagem Final realizada na Cidade do Cabo, em fevereiro, marcou o fim do primeiro ciclo do Projeto de Género e Inclusividade (Projeto G&I) da Iniciativa de Conselhos de Concessão de Bolsas Científicas II (SGCI-II) e o início da segunda fase.

A cimeira foi uma oportunidade para celebrar e refletir sobre uma jornada iniciada há mais de três anos por 13 conselhos africanos de concessão de bolsas científicas, comprometidos com a adoção de uma perspetiva de género no seu trabalho – e para delinear os próximos passos para a segunda fase do projeto.

Liderado pelo Human Sciences Research Council (HSRC) da África do Sul, em parceria com a Gender at Work, a Jive Media Africa e o Conselho para o Desenvolvimento da Investigação em Ciências Sociais em África (CODESRIA), o Projeto G&I visou reforçar as capacidades dos SGC na África Subsariana para promover mudanças sistémicas rumo a uma maior inclusividade de género nos seus respetivos setores de ciência, tecnologia e inovação (CTI).

O projeto aplicou uma metodologia única de aprendizagem entre pares, conhecida como Gender Action Learning (GAL), criada pela Gender at Work, em conjunto com o processo de Assistência Técnica Direcionada (TTA) concebido pelo HSRC, para responder às necessidades dos conselhos, construir parcerias e incentivar a apropriação do processo de mudança.

A cimeira, que marcou a primeira vez que todos os participantes se puderam reunir “na mesma sala” após anos de interações digitais resultantes das restrições à viagem e ao contacto pessoal devido à COVID-19, foi uma oportunidade para fazer um balanço e perguntar: até que ponto cada um dos conselhos progrediu em direção aos objetivos centrais do projeto? E, crucialmente: quais seriam os próximos passos no segundo ciclo da jornada de género e inclusividade?

O programa destacou temas fundamentais e considerou alguns dos obstáculos centrais que os conselhos de concessão de bolsas científicas enfrentam na sua busca por uma agenda transformadora de género, sublinhando simultaneamente o poder do ciclo de concessão de bolsas para ajudar a criar sistemas de investigação mais inclusivos – com resultados positivos para a sociedade em geral.

Progressos tangíveis

Um reflexo tangível do progresso alcançado pelos conselhos foi evidente nos pósteres de tamanho real revelados na cimeira. Criados por cada um dos 13 conselhos participantes com o apoio da Jive Media Africa, os pósteres capturaram os pontos altos do trabalho realizado por cada conselho para aumentar a participação das mulheres e de outros grupos sub-representados na CTI; a transformação de políticas e práticas institucionais destinadas a integrar o género e a inclusão em todos os níveis das organizações; e a integração de análises de género e interseccionais na investigação como meio de estimular a excelência.

Como esperado, o conteúdo variou de póster para póster, refletindo as diferentes prioridades e ênfases de cada conselho, bem como os diferentes contextos em que os conselhos operam.

Por exemplo, o póster do Fundo Nacional de Investigação (NRF) do Quénia destacou o seu sucesso com a adoção de uma “abordagem de campeões do género” para a transformação. Os campeões do género são membros do pessoal do conselho que demonstram um compromisso claro com as questões de género e recebem formação específica para ajudar a promover uma maior consciência de género no local de trabalho e na sociedade em geral. Trabalhando a partir de uma base de maior sensibilização, o NRF conseguiu lançar vários programas destinados a integrar o género em todas as suas atividades.

No seu próprio póster, a equipa de mudança da Zâmbia, do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (NSTC), descreveu os esforços para melhorar a mentoria disponível para mulheres investigadoras que procuram aceder a bolsas ou candidatar-se a cargos de liderança – com alguns resultados encorajadores.

Vários outros pósteres nacionais assinalaram o desenvolvimento de novos instrumentos políticos ou a criação de novos fóruns, tais como comités de género nas organizações e instituições.

As diferenças nos contextos nacionais em que os conselhos de concessão de bolsas científicas operam e as variações no panorama político foram evidentes no facto de nem todos os conselhos possuírem políticas de género implementadas – quer ao nível institucional, quer nacional – no momento em que o projeto teve início.

Embora o valor de uma política escrita nos processos de mudança relacionados com o género seja indiscutível, a implementação da política, uma vez elaborada, apresenta frequentemente desafios maiores, tendo sido este um tema de discussão persistente durante a cimeira.

No entanto, apesar das diferenças de ênfase, prioridades e contexto, todos os pósteres refletiram sinais fortes de “intencionalidade” em relação ao género e à inclusividade, tanto no pensamento estratégico como no trabalho quotidiano dos conselhos.

Tal intencionalidade ou abertura à transformação é um ingrediente vital em qualquer processo de mudança, particularmente numa situação em que a mudança é necessária em múltiplas frentes. Como referiu a Prof.ª Heidi van Rooyen, Investigadora Principal do Projeto G&I e Executiva de Grupo do Impact Centre no HSRC, aumentar a participação de grupos sub-representados (“corrigir os números”) no ciclo de investigação é essencial, mas o processo de mudança não para por aí. Torna-se também necessário abordar as culturas e normas de exclusão que sustentam as práticas institucionais (“corrigir a instituição”) e a forma frequentemente excludente como os projetos de investigação são identificados e conduzidos (“corrigir o conhecimento”).

O facto de a conceção dos programas de investigação estar frequentemente em desacordo com os interesses das mulheres e das populações marginalizadas confere aos conselhos de concessão de bolsas científicas – intervenientes fundamentais no ciclo de concessão de financiamento – uma responsabilidade particular no que toca à defesa da abordagem do género e da inclusividade na investigação e, de forma mais geral, na busca pela equidade social e por políticas públicas inclusivas.

Nas palavras de Lilian Hunt, responsável pela Igualdade, Diversidade e Inclusão na Ciência e Saúde (EDIS) na equipa de Cultura, Equidade, Diversidade e Inclusão (CEDI) da Wellcome: “As agências nacionais de investigação são responsáveis por promover a investigação de excelência e por incluir a G&I para tornar a investigação mais recetiva às necessidades nacionais.” Por conseguinte, implementar uma perspetiva de género na investigação iria “tornar a investigação melhor e o retorno do investimento superior”.

Um dos pontos fortes duradouros do Projeto G&I tem sido a metodologia única de aprendizagem-ação – concebida pela parceira do projeto Gender at Work – que visa capacitar os conselhos e os seus membros individuais para serem agentes de mudança, particularmente num ambiente marcado por tensões, complexidade e contestação epistémica.

Reconhecendo que a transformação ocorre tanto ao nível do indivíduo como da instituição, a equipa da Gender at Work incentivou os participantes a adotarem uma abordagem holística, reconhecendo o valor das suas experiências pessoais de exclusão, bem como a sua compreensão intelectual da injustiça sistémica nos seus esforços transformadores.

Próximos passos

Ao entrar no novo ciclo de concessão de bolsas de três anos, o Projeto G&I passará a designar-se “Projeto de Género, Igualdade e Inclusividade” (Projeto GEI), de modo a “dar destaque à necessidade de plena igualdade entre géneros e experiências que podem causar exclusão e desigualdades”. O novo capítulo incluirá um foco mais apurado no reforço da integração de conceitos e práticas de GEI em todos os ciclos de concessão de bolsas e de apoio aos bolseiros.

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