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[CIDADE DO CABO] Investigadores em género dizem que é necessária uma ação urgente, incluindo financiamento direcionado, recolha de dados e alterações nas políticas institucionais, para acelerar os progressos na igualdade…
[CIDADE DO CABO] Investigadores em género dizem que é necessária uma ação urgente, incluindo financiamento direcionado, recolha de dados e alterações nas políticas institucionais, para acelerar os progressos na igualdade de género, que sofreu um duro revés com a COVID-19.
Um relatório da ONU Mulheres alerta que o mundo está muito longe de cumprir o objetivo de alcançar a igualdade de género até 2030, estando ainda previsto que mais de 340 milhões de mulheres e raparigas vivam em pobreza extrema até lá.
O Gender Snapshot 2023 calcula que são necessários mais 360 mil milhões de dólares por ano para alcançar a igualdade de género e o empoderamento das mulheres no conjunto dos objetivos globais, incluindo o fim da pobreza e da fome.
A política e a cultura institucionais permitirão um salto qualitativo para apoiar a igualdade de género.
Dorothy Ngila, Fundação Nacional para a Investigação (NRF)
O relatório afirma que um estímulo específico para a questão do género teria um “impacto transformador” no percurso dos 17 ODS, a maioria dos quais está fora das metas.
Joan de Klerk, antiga diretora de programas da Comissão para a Igualdade de Género da África do Sul, afirma que o relatório destaca três áreas críticas a abordar: igualdade entre homens e mulheres no tempo dedicado ao trabalho não remunerado e às tarefas domésticas, igualdade na tomada de decisão e direitos de saúde sexual e reprodutiva.

Afirmou ser claro que os objetivos globais não estão em vias de ser cumpridos e que “qualquer programa de aceleração para a implementação dos ODS poderá não ter sucesso no atual clima de guerras, pandemias e na conjuntura económica em que nos encontramos”.
Na África do Sul, que ocupa o 110.º lugar entre 166 países no índice ODS de 2023 para alcançar o conjunto dos 17 objetivos dos ODS, de Klerk afirma que houve algumas melhorias na tomada de decisão, mas não suficientes.
Dorothy Ngila, diretora de parcerias estratégicas na Fundação Nacional para a Investigação da África do Sul, afirma que fatores como o fraco financiamento e a pandemia de COVID-19 contribuíram para o lento progresso na concretização da paridade de género.
“Recuámos muitos, muitos anos durante e agora no pós-COVID […] e será necessária uma defesa e ações muito mais consistentes para nos autocorrigirmos e avançarmos depois num caminho mais equitativo”, afirma Ngila, que também gere a iniciativa multilateral com base na África Subsariana Science Granting Councils Initiative (SGCI).
Ngila afirma que os conselhos membros da SGCI desenvolvem ações de reforço de capacidades para integrar a igualdade de género em todos os objetivos de desenvolvimento sustentável.
“Penso que é a política e a cultura institucionais que permitirão um salto qualitativo para apoiar a igualdade de género”, afirma, acrescentando que a SGCI está a trabalhar com doadores para influenciar a política governamental e aumentar o financiamento para projetos que promovem a igualdade de género.
“É necessário reconhecer, de forma fundamental, que os direitos das mulheres estão totalmente ligados à trajetória global de desenvolvimento”, acrescenta Ngila.
“Se não conseguirmos permitir que as mulheres e os grupos minoritários acedam, de forma equitativa, a aspetos como educação, saúde, água e saneamento e meios de subsistência, então o mundo fica muito mais pobre pelos números perdidos e pelas oportunidades de inovação que as mulheres trazem ao mundo.”
Ingrid Lynch, investigadora sénior no Human Sciences Research Council, afirma que a investigação é fundamental para criar políticas capazes de impulsionar a igualdade de género.
“Os Conselhos de Financiamento da Ciência são essenciais para isto, pois conseguem financiar investigação que reflete as realidades locais e que oferece soluções adaptadas para os países darem continuidade”, afirma.
Lynch considera que a realidade pode ser ainda pior do que a indicada no relatório da ONU.
“Este relatório recente é sombrio, mas o retrato real é provavelmente ainda mais sombrio, (porque) não temos acesso aos dados necessários para compreender plenamente os desafios”, afirma Lynch, acrescentando que mais financiamento para a investigação é uma parte importante da solução.
De Klerk considera que os países com rendimentos mais elevados deveriam aumentar o financiamento destinado a alcançar a paridade de género.
“Como as organizações humanitárias funcionam com o financiamento disponível, penso que as organizações humanitárias precisam de intensificar o seu pedido de financiamento adicional aos países desenvolvidos”, afirma.
Este trabalho foi realizado com o auxílio de uma bolsa do International Development Research Centre, Ottawa, Canadá. As opiniões aqui expressas não representam necessariamente as do IDRC ou do seu Conselho de Administração.
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