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[Manzini, SciDev.Net] O agricultor zimbabueano Freedom Sibanda costumava vender as suas cabras por 30 dólares americanos cada. Agora, através de técnicas de cruzamento, uma cabra pode atingir até 60 dólares…

Leitura rápida
  • A inseminação artificial melhora o gado zimbabueano
  • Os investigadores registaram um aumento de 35 por cento na fertilidade das aves
  • Os «centros de serviços» poderiam ajudar a aumentar a escala

[Manzini, SciDev.Net] O agricultor zimbabueano Freedom Sibanda costumava vender as suas cabras por 30 dólares americanos cada. Agora, através de técnicas de cruzamento, uma cabra pode atingir até 60 dólares americanos no mercado.

Muitos pequenos agricultores em todo o Zimbabué debatem-se com baixa produtividade pecuária e pobreza. Os métodos tradicionais de reprodução falham frequentemente, deixando as famílias com animais de fraca qualidade e rendimentos escassos.

Quando Sibanda cruzou cabras inseminadas artificialmente com cabras autóctones do Zimbabué, reproduzidas naturalmente, da região de Matabele, notou melhorias significativas na fertilidade, no tamanho e na resistência a doenças nas cabras cruzadas.

«Isto não é apenas bom para mim; beneficia toda a comunidade», afirmou.

«A qualidade da carne é melhor e mais nutritiva, por isso a minha família alimenta-se de forma mais saudável e podemos vender mais a preços mais elevados.»

Por detrás desta melhoria está uma equipa de investigadores da Lupane State University que está a testar tecnologias reprodutivas de baixo custo, incluindo inseminação artificial e cruzamentos, tanto em aves como em cabras, com resultados iniciais a mostrarem ganhos notáveis.

Avaliaram o impacto da inseminação artificial em cabras e aves em várias explorações de pequenos agricultores.

Embora a inseminação artificial, por si só, não tenha superado de forma significativa o acasalamento natural nas taxas de fertilidade das cabras — ambas em torno de 85 por cento —, a descendência resultante do cruzamento entre as duas linhas apresentou um desempenho superior, tanto em tamanho como em sucesso reprodutivo.

As fêmeas cruzadas Matabele-Boer, por exemplo, atingiram até 57,5 kg, em comparação com apenas 42,3 kg nas cabras Matabele de raça pura.

Nas aves, porém, a inseminação artificial proporcionou um resultado mais dramático.

As taxas de fertilidade subiram de 54 por cento com acasalamento natural para 89 por cento com inseminação artificial.

Distribuição de sémen

A inseminação artificial é uma técnica já amplamente utilizada na agricultura em muitos outros países para melhorar a qualidade genética e a produtividade no gado bovino e nas aves.

No Zimbabué, a maioria das explorações avícolas pertence a pequenos agricultores, que normalmente mantêm um galo com várias galinhas. Mas os galos podem ser seletivos e acasalar apenas com as suas preferidas.

Com a inseminação artificial, os agricultores recolhem o sémen do galo e administram-no a cada galinha.

«A inseminação artificial permite uma melhor distribuição de sémen, garantindo que cada galinha é fecundada adequadamente», explica Fortune Jomane, investigador principal do projeto e professor sénior na Lupane State University.

«Em contrapartida, o acasalamento natural enfrenta frequentemente problemas, como os galos escolherem apenas algumas galinhas, o que reduz a fertilidade.»

Diluentes

Jomane e a sua equipa desenvolveram soluções especiais que mantêm os espermatozoides vivos por mais tempo. Utilizaram três tipos de diluentes: uma chamada «solução de Ringer» contendo cloreto de sódio, cloreto de potássio e lactato de sódio; um diluente com glucose; e uma solução salina. Compararam-nos com sémen não diluído para avaliar a sua eficácia.

«Verificámos que a solução de Ringer funcionou muito bem, mantendo o equilíbrio osmótico, prevenindo a desidratação e preservando a integridade estrutural dos espermatozoides, ao mesmo tempo que mantinha os níveis de pH», disse Jomane.

«Os diluentes nutrem os espermatozoides e funcionam como agentes de volume, ajudando a manter a qualidade do sémen por períodos prolongados.»

O projeto de investigação, que decorreu de 2023 a 2024, foi financiado com 230.000 dólares americanos pela Science Granting Councils Initiative, através do Research Council of Zimbabwe (RCZ).

Forbes Chinyemba, responsável técnico sénior pela gestão de investigação no RCZ, afirmou que foram formados dez agentes de extensão para apoiar os agricultores na utilização de técnicas de inseminação artificial em galinhas, a fim de melhorar as taxas de fertilidade.

«Se capacitar os agentes de extensão do governo, está também a capacitar o agricultor», disse Chinyemba.

Experiência prática

Sibonangabo Sikhondze, especialista em pecuária de Eswatini, está convencido das vantagens da inseminação artificial.

Sublinha a necessidade de formação comunitária, afirmando que os agricultores aprendem melhor através da experiência prática.

Para tornar a técnica mais acessível, Sikhondze recomenda a criação de centros locais de prestação de serviços de inseminação artificial, bem como campanhas de sensibilização para ajudar as comunidades a compreender as vantagens.

Jomane afirma que alguns agricultores são céticos quanto à eficácia da inseminação artificial, enquanto problemas de transporte e comunicação limitada também podem constituir um obstáculo para agricultores em zonas remotas.

Rios cheios durante a época das chuvas bloqueiam o acesso às explorações e a fraca cobertura de rede móvel dificulta o contacto com os agricultores. As falhas de energia afetam a refrigeração necessária para manter o sémen viável.

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