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Investigadores sul-africanos premiados discutem o seu trabalho no combate à escassez de água e ao cancro. 1 Engenheira química Nomthandazo Sibiya enfrenta crise hídrica na África do Sul 2 A…

Investigadores sul-africanos premiados discutem o seu trabalho no combate à escassez de água e ao cancro.

1Engenheira química Nomthandazo Sibiya enfrenta crise hídrica na África do Sul
2A sua investigação sobre metais em águas residuais valeu-lhe um prémio da National Research Foundation
3Os prémios também reconheceram a investigação sobre os cancros do pâncreas e da vesícula biliar

[NAIRÓBI] A escassez de água é um problema enorme para muitas pessoas na África do Sul e, para a engenheira química Nomthandazo Sibiya, foi uma questão que viveu em primeira mão.

Tendo crescido numa pequena aldeia onde obter água limpa significava ir buscá-la a um poço, Sibiya determinou-se a enfrentar este desafio ao iniciar uma carreira na ciência.

“A escassez de água é uma grande crise na África do Sul”, afirma Sibiya.

“Cresci numa zona rural onde caminhávamos muitos quilómetros para ir buscar água.”

“Queria encontrar uma solução para o desafio da água e melhorar o acesso a água limpa.”

A publicação é um resultado da investigação, mas ser reconhecido pelo esforço estimula o entusiasmo para alcançar mais e para inspirar e orientar os pares, incluindo jovens cientistas.

Himla Soodyall, diretora executiva da Academia de Ciência da África do Sul

Há cinco anos, Sibiya terminou a sua licenciatura em engenharia química na Universidade de Tecnologia de Durban, na África do Sul, onde prosseguiu os estudos para um mestrado em engenharia química.

Atualmente estudante de doutoramento em engenharia química na universidade, Sibiya empreendeu um projeto de investigação com uma missão: limpar águas residuais industriais através da utilização inovadora de produtos químicos magnéticos.

O seu trabalho e empenho valeram-lhe um dos prémios da National Research Foundation (NRF) deste ano – um galardão que celebra os cientistas e investigadores mais inovadores da África do Sul.

Os prémios anuais reconhecem indivíduos e equipas cujas conquistas científicas alargaram significativamente as fronteiras do conhecimento para o bem comum da sociedade.

“O sistema de classificação da NRF no qual estes prémios se baseiam fornece-nos uma referência pela qual nós, enquanto país, podemos medir o nosso valor como criadores globais de conhecimento e, claro, comparar-nos com o resto do mundo”, afirmou Mosa Moshabela, presidente do conselho da National Research Foundation.

A vitória de Sibiya na categoria de prémio de excelência em investigação para a próxima geração de investigadores foi o reconhecimento de um trabalho que aborda a questão crítica do acesso a água limpa num país marcado por uma elevada produção industrial de águas residuais.

Financiado pela NRF, o seu doutoramento visa colmatar a lacuna de competências nas áreas da ciência, engenharia, tecnologia, humanidades e ciências sociais, reforçando simultaneamente o conjunto de talentos de investigação no sistema nacional de inovação da África do Sul.

A investigação de Sibiya foca-se na remoção de metais pesados de águas residuais utilizando materiais de absorção especializados. Identificou um problema premente nos tratamentos existentes: a dificuldade na recuperação de absorventes.

Sibiya acredita que a remoção magnética de metais pesados poderá oferecer uma solução viável para o tratamento de águas residuais, sendo reutilizável e ecológica.

“O meu objetivo é avançar para soluções de tratamento de águas residuais ecológicas que sejam também acessíveis”, explica.

Sibiya diz que quer concluir o seu doutoramento e defender a causa das raparigas na sua comunidade, incentivando-as a seguir cursos científicos através de mentoria.

Foi homenageada, juntamente com outros vencedores, numa cerimónia de entrega de prémios em Durban, KwaZulu-Natal, em agosto, que também celebrou os 20 anos do Projeto Square Kilometre Array (SKA) da África do Sul, um esforço internacional para construir o maior radiotelescópio do mundo.

Investigação de “biomarcadores” de cancro

Na categoria de prémio de excelência em investigação para investigadores em início de carreira e emergentes, Ekene Nweke, biólogo molecular no Departamento de Cirurgia da Universidade de Witwatersrand, foi reconhecido pelo seu trabalho na descoberta de biomarcadores para orientar o diagnóstico precoce e o tratamento do cancro do pâncreas e da vesícula biliar, particularmente entre pessoas de ascendência africana.

Nweke afirma que estes cancros potencialmente fatais afetam desproporcionalmente indivíduos de ascendência africana, embora raramente sejam incluídos na investigação e no desenvolvimento de medicamentos.

“Os cancros do pâncreas e da vesícula biliar são mortais”, afirma Nweke.

“Os doentes de ascendência africana são os que mais sofrem, com metade dos doentes a viver menos de seis meses.”

Nweke está a explorar as causas subjacentes a estes cancros e a conceber soluções de diagnóstico precoce. Espera esclarecer as complexidades destes cancros agressivos e impulsionar o desenvolvimento de medicamentos.

“Estamos a observar aspetos que podem estar a tornar o cancro mais agressivo”, afirma Nweke, acrescentando que se prevê um aumento do cancro do pâncreas e da vesícula biliar, juntamente com outros cancros, na África Subsariana.

Himla Soodyall, professora de investigação em genética humana e diretora executiva da Academia de Ciência da África do Sul (ASSAf), acredita que o reconhecimento das contribuições de académicos como Nweke para o ecossistema de ciência, tecnologia e inovação não só valida o seu trabalho, como inspira as gerações futuras.

“A publicação é um resultado da investigação, mas ser reconhecido pelo esforço estimula o entusiasmo para alcançar mais e para inspirar e orientar os pares, incluindo jovens cientistas”, afirma Soodyall. Refere que prémios como os da NRF, do National Science and Technology Forum e a Medalha de Ouro da ASSAf constituem uma plataforma vital para celebrar estas conquistas e motivar os investigadores a aprofundarem as suas contribuições para a sociedade.

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