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Novas variedades de trigo resistentes ao clima, desenvolvidas no Uganda, irão reduzir a dependência de exportações estrangeiras e apoiar a produção alimentar local, segundo investigadores agrícolas. Em toda a África…
Novas variedades de trigo resistentes ao clima, desenvolvidas no Uganda, irão reduzir a dependência de exportações estrangeiras e apoiar a produção alimentar local, segundo investigadores agrícolas.
Em toda a África Subsaariana, existe uma procura crescente de trigo, mas o aumento das temperaturas está a colocar as colheitas sob risco crescente.
A Organização Nacional de Investigação Agrícola do Uganda (NARO) está a promover e a distribuir duas novas variedades de sementes, resistentes a doenças de ferrugem do trigo, bem como ao stress térmico e à seca, em explorações agrícolas por todo o país.
Bosco Chemayek, líder da equipa de investigação e responsável pelo melhoramento de trigo e cevada na NARO, afirma que as sementes podem crescer em áreas anteriormente inadequadas, tornando-as ideais para a diversidade agroecológica do Uganda.
“O país tem potencial para produzir mais de 60% do grão de trigo, se a área de produção puder ser expandida para ambientes de média e baixa altitude, através do uso de variedades tolerantes ao calor”, afirmou Chemayek.
De acordo com a NARO, a procura de trigo no Uganda situa-se em 650.000 toneladas métricas por ano, mas a produção atual é de apenas 25.000 toneladas métricas.
A mudança de gostos e preferências da população levou a um aumento acentuado da procura de trigo e de produtos derivados, bem como a um aumento da dependência do país em relação às importações de trigo, avaliadas em US$450 milhões.
Para colmatar esta lacuna, a equipa de investigação da NARO iniciou, em 2021, a missão de desenvolver novas variedades de trigo capazes de prosperar no clima diversificado do Uganda.
“Introduzir o trigo em áreas não tradicionais, como os ambientes de média e baixa altitude, é a melhor alternativa para reduzir as enormes importações”, explicou Chemayek.
“No entanto, estas áreas caracterizam-se por stress térmico e hídrico, doenças de ferrugem do trigo (ferrugem do caule, da folha e amarela) e falta de variedades adaptadas a estes ambientes.”

O projeto de investigação, com a duração de 18 meses, foi financiado pela Science Granting Councils Initiative (SGCI), uma iniciativa que reforça as agências públicas de financiamento científico na África Subsaariana para apoiar a investigação e políticas baseadas em evidências.
“Acelerámos o desenvolvimento e o lançamento de variedades de trigo amplamente adaptadas e preferidas pela indústria, para uma agroindústria diversificada, e para reforçar o acesso e a utilização de semente de trigo de qualidade no Uganda”, afirmou Chemayek, acrescentando que o sucesso do projeto é um testemunho do poder da colaboração entre investigadores, agricultores e decisores políticos.
Chemayek afirmou que a SGCI apoiou os ensaios de desempenho de adaptação em múltiplas localizações e a multiplicação de sementes, antes do lançamento, de linhas candidatas. A multiplicação de sementes envolve a recolha de sementes promissoras e o seu cultivo num ambiente controlado.
O desenvolvimento das sementes envolveu o cruzamento de linhas promissoras do Centro Internacional de Investigação Agrícola em Zonas Áridas e do Centro Internacional de Melhoramento de Milho e Trigo, explica Chemayek.
Seguiram-se ensaios de adaptação ao longo de várias épocas, para determinar o seu desempenho nos diferentes ambientes existentes no Uganda.
Ganhos económicos
Geoffrey Sempiri, coordenador do projeto da SGCI no Uganda, acredita que o projeto ajudará o país a tornar-se menos dependente das importações ao aumentar a produção interna de trigo, impulsionando o desenvolvimento económico.
“Financiar este projeto foi muito importante e oportuno, para que os agricultores ugandeses possam produzir mais trigo, o que se traduz em maior segurança alimentar e menor dependência do trigo importado”, afirmou.
“Tivemos aumentos de preços quando a guerra Rússia-Ucrânia eclodiu, porque dependíamos fortemente das importações de trigo da Ucrânia”, acrescentou.
Sempiri sublinhou que o impacto do projeto vai para além da segurança alimentar, com potencial para criar empregos e estimular o crescimento económico.
Disse que os proprietários de negócios locais, especialmente mulheres e jovens, podem beneficiar de uma cadeia de valor do trigo forte para fazer crescer os seus pequenos negócios.
“Temos muitos jovens ugandeses e mulheres com pequenos negócios de rua que fazem produtos alimentares à base de trigo, como chapati e ‘rolex’ – um snack ugandês popular com chapati, ovos fritos e legumes enrolados”, disse Sempiri.
O crescimento da procura de trigo traz oportunidades de emprego ao longo da cadeia de valor do trigo para agricultores, moleiros e padeiros, segundo o analista agrícola Omotunde Banjoko.
Banjoko está também confiante de que a iniciativa pode reforçar a produção e a economia do trigo em África, reduzindo a dependência de importações e aumentando a segurança alimentar.
“Uma abordagem coordenada, incluindo maior investimento em investigação e desenvolvimento, infraestruturas e boas práticas de extensão agrícola, é fundamental para aprofundar e sustentar os resultados”, afirmou.
Artigo escrito por Funke Ishola
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