História de Mudança
Cinco anos após o seu lançamento, a PENSA — uma aplicação móvel desenvolvida em Moçambique — foi acedida por mais de quatro milhões de pessoas, tornando-se a principal plataforma de…

Cinco anos após o seu lançamento, a PENSA — uma aplicação móvel desenvolvida em Moçambique — foi acedida por mais de quatro milhões de pessoas, tornando-se a principal plataforma de saúde digital do país.
A aplicação móvel está a permitir que comunidades remotas e carenciadas do país recebam informações e serviços de saúde essenciais, utilizando inclusive telemóveis de baixa tecnologia com funções limitadas, afirmam os seus programadores.
Valter Cumbi, coordenador do projeto PENSA e fundador da empresa de tecnologias de informação Source Code, afirmou: “Desde o lançamento da PENSA, há cinco anos, esta já se tornou a maior plataforma de saúde digital em Moçambique, com mais de 60 milhões de visitas e consultas e quatro milhões de utilizadores.”
Cumbi referiu que a motivação para a PENSA surgiu durante a pandemia de Ébola de 2014 a 2016.
A nossa esperança é que a PENSA não só ajude as comunidades a prevenir doenças e a levar vidas mais saudáveis, mas também permita que as suas preocupações e opiniões sejam ouvidas. Valter Cumbi, PENSA (Plataforma Educativa de Informação sobre a Saúde)
“Embora estivéssemos inundados de informações e medidas preventivas na TV, e-mails e websites, percebemos que, mesmo a 30 minutos da capital, a grande maioria desconhecia completamente o Ébola e a forma como este estava a afetar os africanos”, explicou Cumbi.
“Percebemos que os canais de comunicação convencionais não estavam a chegar a este grande grupo demográfico e procurámos corrigir isso através da criação de uma plataforma mais equitativa.”
Referiu ainda que novas funcionalidades, conteúdos e ferramentas estão a ser continuamente adicionados à aplicação PENSA.
“Este ano, adicionámos doenças orais, kits de autoteste de VIH, localização de farmácias públicas e estamos em processo de adicionar uma versão para o WhatsApp”, disse Cumbi.
“Continuaremos a inovar e a estender a nossa plataforma a diferentes setores e, talvez, até além-fronteiras.”
De acordo com o Ministério da Saúde de Moçambique, a aplicação PENSA foi concebida para ajudar os grupos mais vulneráveis do país a usufruírem da melhor saúde possível a um custo acessível.
A plataforma fornece informações sobre tudo, desde a tuberculose e malária até à saúde materna e vacinação infantil.
Muitos moçambicanos são vulneráveis a doenças, especialmente os que vivem abaixo do limiar da pobreza, em zonas rurais distantes das unidades de saúde mais próximas e com acesso limitado à internet.
“Vimos que o projeto teria um impacto socioeconómico nas comunidades, uma vez que prestava serviços que as comunidades podem utilizar”, afirmou Manecas Alferes, especialista em monitorização, avaliação e aprendizagem do Fundo Nacional de Investigação de Moçambique.
A PENSA foi financiada pelo Fundo Nacional de Investigação de Moçambique, através da Agência Sueca de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional.
Segundo Alferes, o fundo apoiou o estabelecimento da plataforma após um concurso que levou à seleção da Source Code para construir e gerir a aplicação.
“O Fundo Nacional de Investigação apresentou [o conceito] aos decisores políticos, assegurando que é possível estabelecer uma ligação entre as indústrias dos setores público e privado para produzir bons resultados que possam ter impacto na sociedade”, disse Alferes.
Ao celebrar as conquistas da PENSA, Cumbi, o fundador, afirma que garantir a sustentabilidade a longo prazo da plataforma continua a ser uma preocupação significativa. A PENSA presta os seus serviços gratuitamente aos utilizadores finais, tornando a sustentabilidade financeira uma consideração crítica.
“O nosso maior desafio é obter apoio para a sustentabilidade a longo prazo, uma vez que prestamos os nossos serviços gratuitamente ao utilizador final”, acrescentou.
“Isto é particularmente frustrante dadas as lacunas que identificámos e que podemos preencher com as novas ideias de projetos e inovação que temos.”
Cumbi afirma que a plataforma é agora uma fonte de recolha de dados e realiza inquéritos para parceiros e instituições de saúde sobre temas como a aceitação da vacinação.
“A nossa esperança é que a PENSA não só ajude as comunidades a prevenir doenças e a levar vidas mais saudáveis, mas também permita que as suas preocupações e opiniões sejam ouvidas pelas instituições de saúde, de modo a oferecer um sistema de saúde pública que esteja alinhado com as suas necessidades e realidade”, concluiu.